segunda-feira, 8 de abril de 2013

Momentos

                   Parece que se passaram anos. O tempo tem passado mais rápido do que deveria. As coisas têm mudado um bocado desde a última vez, mas na verdade só se passaram alguns meses. Longos meses, e enquanto todos continuam trancados nos seus presentes de hoje, eu vejo nitidamente essa passagem mórbida do tempo, afinal sempre me espanta como tudo tomou um rumo totalmente adverso do que eu previa. 
                     Talvez fosse pretensão da minha parte querer ser o senhor do tempo aos 15 anos, mas eu me sinto mal toda vez que olho ao redor, e me dou conto de que nada que eu previa, de fato, se concretizou. Nenhum dos destinos que eu escolhi pra mim, me escolheu. Nenhuma realidade paralela se sucedeu.
                      
                     Eu sei, que estes dias estou voltando ao passado, sinto o gosto do passado, sinto que tornei a ruminar pensamentos antigos e remoer minha alma por coisas que já foram, mas parecem-me que não, não sei. Sei que no meio da noite passada eu olhei e recebi um olhar. O mesmo olhar de anos atrás, o mesmo olhar cheio de perguntas e que nunca me deu nenhuma resposta sobre o que seria tudo aquilo. Só me encheu de dúvidas e de vida. Foi tudo aquilo realmente. Tem cheiro de memória e gosto de mágoa.

                  Filmes bonitos continuam me angustiando como não deveriam mais fazer há muito tempo.   Existe um risco, uma rachadura, nessa bonita estória que é incurável, irreparável, e que estará sempre ali, a sombrear tudo que foi e que é. Eu só achava que Tristão e Isolda era o meu conto predileto, e que hoje em dia seria tudo mais claro e farto, repleto de toda a satisfação, com a licença do Lulu, e que fugiria de toda definição que pudesse oprimir aquilo que era tão maior.

                        Bobagens, momentos.

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